Uma startup formada por estudantes e ex-alunos da Universidade de Concepción desenvolveu um software para automatizar inspeções em operações de mineração e outros ambientes industriais. A solução combina inteligência artificial e visão computacional para registrar informações em campo e transformá-las em formulários, relatórios de falhas e registros de avanço de obras.
Batizada de PAIR, a empresa surgiu na Região do Biobío, no sul do Chile, e levou sua tecnologia para operações de grande mineração na Região de Tarapacá. O projeto mostra como um ecossistema universitário regional tenta responder a um problema recorrente da indústria: a dependência de anotações manuais, formulários em papel e processos posteriores de digitalização.
De acordo com a Universidade de Concepción, o software foi testado em operações de grande mineração e alcançou mais de 95% de precisão na identificação de observações feitas durante as inspeções. A instituição também informou que os processos foram concluídos até três vezes mais rápido do que com aplicações digitais convencionais. Os resultados se referem aos testes realizados e não representam, necessariamente, o desempenho da ferramenta em todas as operações ou setores.
Como funciona o software da PAIR
O sistema permite que o profissional utilize o celular para registrar fotografias, vídeos e comandos de voz durante uma inspeção. Essas informações são processadas para organizar os dados coletados e apoiar a produção de documentos usados no acompanhamento das atividades industriais.
Um dos diferenciais apontados na apresentação da solução é a possibilidade de uso em locais sem conexão de internet. Esse recurso é relevante para operações de mineração, que podem ocorrer em áreas remotas ou com limitações de conectividade. O conteúdo registrado em campo pode ser utilizado no fluxo de inspeção mesmo quando o dispositivo não está conectado à rede.
Com a aplicação de inteligência artificial e visão computacional, o software busca reduzir o tempo entre a coleta de uma observação e sua transformação em um registro operacional. Na prática, a ferramenta pode apoiar a identificação de falhas, o acompanhamento do avanço de obras e a organização de informações que, em processos tradicionais, dependeriam de preenchimento manual e revisão posterior.
Testes foram realizados em operações no norte do Chile
A experiência apresentada pela Universidade de Concepción ocorreu em operações de grande mineração na Região de Tarapacá. O recorte conecta o ecossistema de inovação do Biobío a uma das principais atividades produtivas do Chile e indica uma tentativa de levar soluções criadas no ambiente acadêmico para desafios concretos da indústria.
Além da mineração, a PAIR informa que sua tecnologia pode ser aplicada em outros ambientes industriais que dependam de inspeções, registros de campo e acompanhamento de tarefas. A expansão para diferentes setores, porém, depende da adaptação do sistema às características de cada operação e da validação dos resultados em novos contextos.
A universidade também informou a realização de um projeto-piloto em operações de grande mineração nos últimos meses de 2026. Essa etapa deve contribuir para avaliar a solução em condições práticas de uso e para identificar oportunidades de aperfeiçoamento antes de uma expansão mais ampla.
Startup Biobío 2026 abre caminho para internacionalização
Em 2 de setembro de 2026, a PAIR venceu a final do Startup Biobío 2026, realizada em Concepción. O resultado também foi divulgado em 10 de setembro pelo Comitê de Desenvolvimento Produtivo Regional do Biobío, que acompanha a iniciativa regional de apoio ao empreendedorismo.
Segundo a própria startup, em publicação sobre a competição no site da PAIR, a vitória dará à empresa apoio para uma missão de internacionalização em Nova York e Miami, prevista para outubro. A agenda representa o próximo passo de uma solução que começou no ambiente universitário de Concepción e passou a ser testada em operações de mineração no norte chileno.
O caso reúne três movimentos da transformação digital no Chile: a aplicação prática de inteligência artificial, a aproximação entre universidades e empresas e a busca por eficiência em setores estratégicos. Ao substituir parte dos registros manuais por uma coleta estruturada de imagens, vídeos e voz, a PAIR tenta tornar as inspeções mais rápidas e rastreáveis, sem depender integralmente de conexão durante o trabalho de campo.