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Eles saíram de SP para trabalhar em Recife com tecnologia, menos trânsito e mais tempo de lazer

Depois da pandemia, trabalhadores repensaram estilo de vida, invertendo fluxo migratório, indo de grandes cidades para localidades menores, mesmo com redução de salário

Na pandemia, o desenvolvedor web Rodrigo Siqueira, 39, trocou a correria de São Paulo pela vida desacelerada no litoral, em Praia Grande. De volta à capital, se sentiu mais estressado. Foi somente após surgir uma vaga de emprego em outro estado que decidiu se mudar de vez. Ele está entre os trabalhadores da área de tecnologia que agora decidem onde querem trabalhar. Para essas pessoas, São Paulo não é mais uma opção. Um dos destinos é o parque tecnológico localizado em Recife.

O motivo que levou Rodrigo a buscar oportunidades fora dos centros urbanos mais tradicionais é visto como uma consequência da pandemia, avalia Maria José Tonelli, professora titular da FGV-Eaesp e coordenadora do Núcleo de Estudos em Organizações e Pessoas.

Segundo a especialista, o período trouxe uma mudança sobre o que os funcionários esperam do trabalho. “As pessoas viram que dá para fazer as coisas de uma maneira diferente e unir a flexibilidade que o setor da tecnologia oferece com a qualidade de vida”, explica.

Antes, a consultora trabalhava no modelo presencial. Com a mudança de cidade, veio também uma alteração no formato, que atualmente é 100% remoto.

A nova modalidade de trabalho permite que ela atue de qualquer lugar. Mesmo assim ela permanece entre Recife e Olinda.

Segundo Catarina, essa flexibilidade a possibilita ter mais tempo para se dedicar à vida pessoal.

“Não perco mais tempo no deslocamento para o trabalho. Consigo me organizar melhor, e isso é uma prioridade enorme: ter tempo para me cuidar, fazer um esporte, aprender um instrumento. É tempo de qualidade para mim.”

Ela não quis revelar se houve aumento ou redução de salário em relação ao que ganhava em São Paulo.

Propósito e desenvolvimento de carreira
Em Recife, as empresas notaram que precisavam de um esforço especial para reter os talentos da própria região e atrair outros profissionais de localidades mais distantes.

“Antes nós formávamos gente de nível mundial para exportar”, diz Giordano Cabral, presidente do César, instituto de inovação com base na capital pernambucana, e professor da Universidade Federal de Pernambuco.

Com mais de mil colaboradores e escritórios espalhados por Brasil e Europa, Cabral reforça que hoje o instituto foca na progressão de carreira e na missão de impacto.

Segundo ele, isso proporciona uma experiência aos funcionários e os estimula a não migrarem para empresas de outras regiões do Brasil e do exterior.

“As pessoas podem ir para outros lugares, mas nós temos condições para reter. Criamos um sentimento de propósito aqui. Incentivamos uma progressão na remuneração, que vale mais do que a remuneração direta. Claro, se o valor for baixo, isso vai contar. Mas é muito importante ter a noção de que o funcionário vai crescendo, vai galgando postos.”

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