João Campos promete isenção de IPVA para motos e enfrenta críticas de vereador do Recife

Diego Velázquez
Diego Velázquez
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Ex-prefeito e pré-candidato ao governo de Pernambuco defende zerar imposto para motocicletas de até 180 cilindradas usadas por trabalhadores.

A corrida ao governo de Pernambuco já ganhou seu primeiro grande embate de propostas envolvendo o dia a dia de quem trabalha na cidade. João Campos, que deixou a Prefeitura do Recife em abril para disputar o governo estadual pelo PSB, anunciou o compromisso de isentar do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores as motocicletas de até 180 cilindradas, medida que, segundo ele, deve beneficiar cerca de 1,4 milhão de proprietários em todo o estado, entre eles entregadores e motociclistas de aplicativo. A proposta rapidamente se tornou alvo de críticas de opositores, entre eles o vereador Eduardo Moura, que acusa o pré-candidato de incoerência diante de medidas adotadas no passado. Para entender o debate, é preciso conhecer o histórico da discussão sobre esse imposto em Pernambuco e as posições dos diferentes grupos políticos envolvidos.

A proposta de João Campos e o público que ela pretende atingir

Ao divulgar a proposta em vídeo nas redes sociais, João Campos afirmou que a isenção do IPVA faz parte de um conjunto mais amplo de ações voltadas a trabalhadores de aplicativo, que incluiria também acesso a crédito, formação profissional e facilidade na compra de equipamentos de segurança. Segundo o pré-candidato, a medida representaria mais renda disponível para famílias que dependem da moto como instrumento de trabalho, já que o imposto deixaria de pesar no orçamento mensal desses profissionais. Em viagens ao interior do estado, o pré-candidato também estendeu o discurso a trabalhadores rurais, defendendo que Pernambuco siga o exemplo de outros estados do Nordeste que já adotam isenções semelhantes, associando a proposta a um programa batizado de Moto Rural, Moto Legal, que incluiria ainda a gratuidade da Carteira Nacional de Habilitação para esse público.

A proposta, no entanto, não é exatamente inédita na política pernambucana. Opositores lembraram rapidamente que uma isenção parecida já havia sido apresentada nas eleições de 2018 pelo então senador Armando Monteiro Neto, adversário do governador da época, Paulo Câmara, também do PSB, que rejeitou a ideia naquele momento e apresentou seus próprios argumentos contrários à medida. Esse histórico é usado tanto por aliados quanto por críticos de João Campos para sustentar interpretações distintas sobre a viabilidade e a consistência da proposta atual.

A reação do vereador Eduardo Moura e o pano de fundo eleitoral

O vereador Eduardo Moura, do partido Novo, foi um dos primeiros a reagir publicamente à proposta de João Campos. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o parlamentar classificou a iniciativa como incoerente, argumentando que medidas de regulamentação e cobrança de tributos sobre motocicletas, incluindo o emplacamento e a fiscalização de motos de baixa cilindrada, teriam sido adotadas ou ampliadas justamente durante o governo estadual do PSB, na gestão de Paulo Câmara, época em que o próprio João Campos ocupava o cargo de chefe de gabinete do Executivo estadual. Para o vereador, a proposta atual representaria uma mudança de posicionamento em relação a políticas já implementadas pelo mesmo grupo político no passado.

O embate entre Eduardo Moura e o pré-candidato do PSB não se limitou à questão do IPVA. O vereador também associou a oposição ao atual governo estadual a protestos recentes em Recife, motivados pelo atraso no pagamento do Auxílio Pernambuco, benefício criado para famílias atingidas pelas chuvas de maio e junho. Segundo Moura, o PSB estaria por trás da organização dessas manifestações, com o objetivo de desgastar a imagem da governadora Raquel Lyra, do PSD, atribuindo a ela falhas que, na visão do parlamentar, teriam origem em omissões das próprias prefeituras no cadastro dos beneficiários. O vereador ainda citou um relatório do Tribunal de Contas do Estado sobre a compra de motos e bicicletas elétricas na gestão anterior de João Campos à frente da Prefeitura do Recife.

O episódio ilustra como propostas de campanha em Pernambuco já nascem cercadas de disputas sobre coerência política e histórico de gestão, especialmente em um estado onde PSB e PSD protagonizam a principal polarização rumo às eleições de outubro. Para o eleitor recifense, acompanhar esse tipo de debate exige ir além do anúncio inicial de uma proposta e observar como ela se sustenta diante do histórico dos próprios grupos políticos envolvidos, já que tanto aliados quanto adversários tendem a usar dados e episódios do passado para reforçar suas narrativas. Nos próximos meses, à medida que a campanha ganha corpo, é provável que tanto a proposta do IPVA quanto as críticas de vereadores como Eduardo Moura sigam pautando o noticiário político do estado.

Fontes consultadas:
https://www.diariodepernambuco.com.br/politica/2026/07/11718770-joao-campos-promete-isencao-de-ipva-para-motos-de-ate-180-cilindradas-em-pernambuco.html
https://penoticias.com.br/blog/o-que-joao-campos-agora-promete-paulo-camara-rejeitou-zerar-ipva-de-todas-as-motos-de-180-cilindradas-no-estado/
https://portaldeprefeitura.com.br/pernambuco/eduardo-moura-chama-joao-campos-de-mentiroso-em-fala-sobre/625721/
https://portaldeprefeitura.com.br/pernambuco/eduardo-moura-acreditar-psb-coordena-protestos-recife-raquel/626518/
https://www.jornalportaldosertao.com.br/joao-campos-diz-que-isencao-de-ipva-para-motos-rurais-vai-promover-justica-social-e-tributaria

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